Museu da Justiça realiza circuito entre edifícios centenários no antigo Distrito Federal
Museu da Justiça foi ponto de encontro da primeira caminhada do Circuito Centenário no Antigo Distrito Federal
O Museu da Justiça do Rio de Janeiro promoveu a primeira caminhada pelo Circuito Centenário no Antigo Distrito Federal nesta segunda-feira, dia 18 de maio, data celebrativa do Dia Internacional dos Museus. O público passeou entre avenidas monumentais, fachadas centenárias e edifícios que testemunharam a construção da República do Brasil. O ponto de encontro foi no Museu da Justiça do Rio, na Rua Dom Manuel, e de lá, o grupo foi conduzido para a Praça da Justiça, o Palácio Tiradentes, o Paço Imperial, o Palácio da Democracia e a Casa do Comércio.
Palco da Proclamação da República, em 1889, e sede do novo governo até 1960, a Cidade do Rio de Janeiro coleciona em sua arquitetura muita história - com destaque para o antigo Palácio da Justiça, o Palácio Tiradentes, o antigo Banco Alemão Transatlântico e o antigo Terminal Marítimo, que completam 100 anos em 2026.
Palácio Tiradentes já foi sede da Câmara dos Deputados
“A ideia do circuito é recuperar o restante da paisagem centenária e conhecer quais eram as funções dos prédios há cem anos e a função deles agora”, disse a guia e historiadora do Museu Tayná Louise de Maria. “A arquitetura, as fachadas, os desenhos e as esculturas apontam para uma ideia de república em construção, ligada ao progresso e ao futuro”.
Arquitetura e simbologia
O percurso pelo Centro da Cidade e seus prédios históricos revelou como o antigo Distrito Federal foi transformado em símbolo da modernidade brasileira entre o final do século XIX e o início do XX. O poder legislativo ocupava o Palácio Tiradentes, como sede da Câmara dos Deputados; o Judiciário atuava no, agora, Museu da Justiça do Rio; o antigo Banco Alemão se tornou sede do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) e o Edifício Turing ocupa o antigo Terminal Marítimo, na Praça Mauá.
Para o guia e professor titular do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) André Leonardo Chevitarese, a escolha dos símbolos nas fachadas dos monumentos não é aleatória. “Muito embora as paisagens urbanas se alterem todos os dias, sempre ficam resquícios do passado. Não foi diferente nos prédios onde estivemos. Os construtores trouxeram elementos representativos das ideias que acreditavam. No Museu, por exemplo, há estátuas com balanças e espelho, simbolizando a justa medida e a busca pela verdade”.
Um novo olhar
Um dos objetivos da iniciativa também é promover um olhar mais atento para a cidade, disse a diretora do Museu da Justiça, Siléa Macieira. “Todos nós trabalhamos aqui e circulamos diariamente por essas ruas sem termos tempo, tranquilidade e paz de espírito para olhar e perceber os monumentos ao nosso redor. O circuito, portanto, se propõe a causar uma reflexão e um olhar diferenciado para o espaço”.
Cristina Belém é guia de turismo em formação e foi com uma amiga participar da nova experiência. “Ver esse passado e presente foi surpreendente. Ir aos lugares e ter, em cada lugar, um guia diferente também foi bem bacana. O que mais chamou minha atenção foram os talhes de caravela e vapor na fachada da sede do TRE-RJ. Eu saio daqui hoje sabendo um pouco mais do que sabia até ontem”.
O circuito faz parte da 24ª Semana Nacional de Museus e é promovido em parceria com a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade e o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
Público conheceu a nova sede do TRE-RJ, que ocupa o antigo Banco Alemão
KB / MG
Foto: Rafael de Oliveira/TJRJ